EMPATE NO FUTEBOL

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problemas com o empate

solução regulamentar para o empate

benefícios com o novo modelo

International Board

conclusão

comentários

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Pelo caráter que pretendemos focar para a matéria, seria boa pedida a iniciarmos com um breve histórico sobre esporte em geral – instituição que incorpora o futebol. Entretanto, um aprofundamento, além de envolver muito tempo, certamente tornaria o texto cansativo – a Internet disponibiliza páginas e  mais páginas com esse fim.

O esporte, como prática de distração e/ou condicionamento do corpo, parece ser mais velho que o surgimento do homem no planeta: filhotes selvagens, de felídeos e de canídeos, são observados em animadas brincadeiras de pega-pega; focas, mesmo em idade um pouco além da juventude, são vistas praticando jogos de arremesso de pequenas pedras nas águas e a luta para apanhá-las antes que cheguem ao fundo; sem falar das lutas, recreativas, praticadas entre animais gregários em idade adolescente.

A julgar pelo esforço imposto ao praticante e ao orgulho que causa (aos atores e à platéia), nós entendemos que o esporte, em geral, pode ser dividido em 2 (duas) partes – treinamento e competição – e, igualmente, têm duas funções importantes na existência humana:

1.   treinamento – condicionar, fisicamente, o praticante e

2.  competição – fomentar as emoções, em ator e público.

Se entendermos que emoção é um fator da necessidade humana (nós lançamos a tese no capítulo 121, organismo dinâmico, tópico 12125, da obra o ser humano), vamos entender que esse seja, provavelmente, o item de maior interesse, pela abrangência.

OK! Com base do item 2 acima, o empate [na competição] é um fator limitante no cumprimento do objetivo [produzir emoções] de qualquer atividade esportiva – situação natural, na modalidade, que o órgão gestor maior precisa reparar, através da legislação mor que regulamenta a atividade, sem corromper a normalidade das competições.

Não são muitas as modalidades esportivas que apresentam igualdade ao final de uma competição, e o futebol é uma das poucas – resultado não questionado pelos desportistas, que,  acostumados à prática pela continuidade ao longo dos tempos, pouco exercem o direito da participação ativa.

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problemas com o empate

 

O grande e principal problema, nos jogos que terminam em igualdade no marcador, é o pouco dinamismo geral verificado nessas partidas principalmente quando não ocorrem os gols.

l   A platéia – que se divide em duas torcidas, geralmente rivais, por não atingir o objetivo final da emoção, que proporciona o esporte – sai de ‘combate’ frustrada.

A finalidade, em uma competição esportiva, é que uma parte saia vibrante/feliz e a outra deixe o ‘campo de batalha’ sofrendo o oposto, cabisbaixo/derrotada, e em uma oportunidade futura aconteça o inverso – a dinâmica natural da evolução  submete o vivente às duas situações opostas.

l   Quando a igualdade, final, no marcador beneficia os dois contendores, ou um terceiro do interesse de ambos, é comum ver jogadores em campo sem muita vontade de competir.

l   Se cada competição distribui 3 pontos, é de esperar que ao final de um campeonato de pontos corridos com 20 participantes e jogos de ida e volta, como é o nosso Brasileirão; as equipes, no conjunto, somem 1.140 pontos pra fechar o balanço (todos contra todos, 10 jogos por rodada em 38 rodadas = 10 x 3 x 38) .

O campeonato Brasileiro de Futebol deste ano de 2007 somou, no total, 1050 pontos – 90 pontos foram para o limbo, resultado de 1 (um) ponto ao espaço, em cada empate (os empates somaram 180 pontos).

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solução regulamentar para o empate

 

Cada jogo que termina com resultado igual no marcador, um fator natural e inevitável no futebol, cada agremiação recebe 1 (um) ponto normal, resultado dos 90 (noventa) minutos de jogo, e mais 1 (um) ponto, que hoje some no ‘vácuo’, deve ser disputado em tiros livres na marca do pênalti, na mesma modalidade praticada nas finais de campeonato quando duas equipes terminam a competição empatadas. Ou seja, uma equipe sai com 1 (um) ponto e outra, vencedora dos tiros livres, sai com 2 (dois) pontos, fechando os 3 (três) pontos previstos.

Ninguém perde o pontinho disputado em campo e o vencedor, dos tiros livres, leva mais um (1) ponto pra casa.

A exceção, à regra, se fará no primeiro jogo das partidas de 180 minutos – nessas modalidades de disputa o desempate, em tiros livres, fica para a segunda competição.

A nova regra ficaria assim formatada:

l   Na vitória, dentro dos 90 (noventa) minutos.

O vencedor soma 3 (três) pontos e o perdedor sai com 0 (zero) ponto (sem alteração na regra atual).

l   No empate, durante os 90 (noventa) minutos de partida, disputa em tiros livres na marca do pênalti.

O vencedor,  dos tiros livres, soma mais 1 (um) pontinho (totalizando 2 pontos) e o perdedor leva 1 (um) ponto, ganho no tempo regulamentar.

Fechando sempre a conta, com três (3) pontos, em qualquer situação de normalidade esportiva que venha ocorrer em uma partida normal.

As cobranças em tiros livres, por não se tratar de infrações penais do jogo, devem ser executadas de uma marca de 12 ou 15 de metros, alternados (sem a costumeira série de 5 cobranças de cada lado), com direito do goleiro se movimentar após os primeiros movimentos do jogador em direção à bola -- dessa forma, a regra vai oferecer uma chance, a mais, ao defensor e exigir mais aprimoramento do executor.

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benefícios com o novo modelo

 

l   Solução ou redução do impasse, na falta de emoção ao final de cada partida em igualdade no marcador;

l   Desestímulo aos jogos de compadres – aquelas partidas nas quais o empate favorece as duas equipes;

l   Eliminação das prorrogações desgastantes;

l   Mais uma alternativa, justa e interessante, de desempate ao final de cada certame – vitória de 2 (dois) pontos;

l   A prática, ao longo do tempo, formará grandes atletas batedores de pênaltis e, também, grandes defensores das cobranças penais, agregando mais dinâmica ao esporte.

Porém, o maior benefício com a nova regra é o dinamismo que será imputado nas competições. Isso favorece o público, amante do esporte, que vai assistir ao jogo do seu clube mais confiante no empenho dos jogadores em campo e com a certeza de haver um ganhador ao final de cada partida.

Todavia, algum ponto negativo há de ocorrer com a regra (o modelo perfeito, pra qualquer sistema, ainda está no porvir), mas temos uma grande certeza: os benefícios superarão, largamente, as perdas.

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International Board

 

International Board -- International Football Associacion Board -- é formado pelos organismos das Federações Nacionais de Inglaterra, Escócia, País de Gales, Irlanda do Norte e Federação Internacional de Futebol Associacion (FIFA). O seu objetivo é discutir e decidir propostas de modificações às leis e regras de jogo, bem como quaisquer outras questões relativas à esses dispositivos legais, sestas submetidas ao Board após terem sida examinadas em assembléias gerais anuais, ou noutras reuniões apropriadas pelas associações que constituem. 

 

Parece que a International Board planeja acabar com o empate no futebol (*). Uma decisão irreal, me parece. O empate é uma opção de resultado, natural da modalidade, que enriquece o esporte e até dá um certo charme.

Literalmente, eliminar a igualdade no marcador, após o tempo regulamentar, é ilegítimo e até injusto. Não se pode retirar 1 (um) ponto de um contendor que o conquistou com labuta, seria até imoral de um ponto de vista ético.

Entretanto, resolver o problema de 1 (um) ponto que fica sem dono, nas situações de empate, é legítimo e parece ser um problema a ser resolvido pela legislação esportiva, e a receita está colocada.

(*) Matéria da coluna de Tostão (Folha, 21-03-2007).

"Dizem que os velhinhos da International Board estudam acabar com o empate no futebol, por meio de cobranças de pênaltis após o jogo ou de outras formas, como a adotada na Liga Independente dos EUA, onde há uma disputa depois da partida entre o atacante, que sai com a bola da intermediária para fazer o gol, e o goleiro. Apesar de a mudança de acabar com o empate ser simpática e de poder estimular o aumento do número de gols, sou contra. O empate faz parte da vida e do jogo. É também uma metáfora de justiça e de generosidade. Essa idéia de que tudo tem de ter um vencedor, que a derrota é um fracasso e que a vida é uma busca de conquistas, sucesso e prêmios, é característica da utilitária e hipócrita sociedade americana, exportada para o Brasil e para o mundo."

Com todo o respeito que tenho pelo Tostão, grande atleta -- do Cruzeiro e da nossa Seleção Brasileira, principalmente, na  inesquecível Copa de 1970 -- e cidadão humano; permita-me discordar em um item: a dinâmica evolutiva da natureza impõe, sim e sempre, um vencedor e um ou mais vencidos. Acontece que o vencedor de hoje é, sem a menor dúvida, o perdedor de amanhã e vice-versa, e o FUTEBOL demonstra isso com muita clareza; embora esses processos naturais não sejam objetos da nossa observação comum. 


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conclusão

 

Não sabemos  se o  modelo, do formato apresentado acima, já foi mostrado ou, quem sabe, até praticado ai pelo mundo a fora. É uma bandeira pra ser levantada pelos desportistas do mundo inteiro, porque resolve o problema do ponto ao vento – com ele são perdidas muitas emoções, tenha certeza. É também uma regra pra ser refletida pelos organismos gestores do futebol e aplicada, de maneira experimental, em um campeonato nas divisões de base, ou mesmo em um torneio de liga amadora.

Uma coisa é certa, o futebol vai ficar bem mais dinâmico e interessante com a aplicação dessa regra.

Com a nova dinâmica teremos boas chances de convencer americanos e canadenses a gostarem do esporte de maior popularidade no mundo... Imagine só, grandes times do Canadá e dos Estados Unidos competindo com agremiações do México, do Brasil e da Argentina. Com uma possível entrada, pra valer, dos americanos e canadenses, o Futebol tomará uma dimensão inimaginável – será a glória desse esporte, nas Américas e em todo o mundo.

Eu acredito na idéia e tenho certeza que os Deuses do Futebol – que zelam pela boa prática e saúde do esporte – aprovarão.

Comente este artigo – Se for matéria pertinente, mesmo que contrária às nossas idéias, nós publicaremos nesta página.

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comentários

 

Mensagem de Alexandre Macêdo Moscôso em 05/12/2007

O artigo começa falando sobre a emoção, e em como o empate não contribui para ela.
Até aí tudo bem.
Só que em determinado momento o artigo da um salto ilógico e passa a tratar da questão da falta de 1 ponto, e daí em diante foca nisso, como se esse fosse o problema.
Primeiro é importante frisar que a falta de 1 ponto não é problema. O torcedor não sente menos emoção por ter sido distribuído 1 ponto a menos.
Segundo que a falta do ponto é justamente a punição pelo jogo monótono (lembre-se que antes a vitória valia 2, que em caso de empate eram divididos entre os times). Devolver o ponto ao empate, através de uma disputa de pênaltes, simplesmente favorece o jogo monótono. As equipes podem se acomodar ainda mais, pois, lá na frente, podem conquistar um ponto extra (sem risco de perder o já garantido). Ou seja, não existe lógica alguma nessa proposição.

Terceiro que, se queremos acabar com o empate no futebol, devemos procurar uma maneira dentro do mesmo. Os pênaltes (ou essas outras propostas constantes no artigo) são como um mini-jogo a parte. É como se em um jogo de basquete, desempatássemos jogando cartas. É exatamente por esse motivo que o pênalti sempre foi muito criticado e vem perdendo prestígio ao longo do tempo, sendo cada vez menos utilizado, tido como injusto (para decidir uma partida de futebol).

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Resposta a Alexandre

Olá meu caro Alexandre!

Em primeiro lugar, obrigado pela mensagem, o que demonstra o seu interesse no tema. As idéias são sempre maravilhosas para o autor, são como um filho para a mãe – a criança mais linda do mundo.
É sempre necessário submete-las [as nossas teses] à diversidade de opiniões; só assim vamos ter certeza se a criança é mesmo linda e maravilhosa como nós enxergamos no momento da criação. E é bom ouvir, repito, a diversidade.

Muito bem! Iniciamos o artigo falando sobre emoções, por que entendemos ser esse o objetivo principal dos esportes na vida humana e tentamos fazer a ligação do empate (ausência da vitória, o desejo maior do torcedor, em um jogo) nessa relação. Não é que o empate seja um fator insípido no Futebol, ele provoca emoções sim, mas em um nível bem mais baixo que nas vitórias (estamos falando do fator em geral, sem baixar às particularidades dessa ou daquela partida). Você já deve ter testemunhado a frustração de duas torcidas em situações de empate, mas aposto que nunca presenciou vibração, nessas situações, como nas vitórias.
A questão do ponto ‘ao limbo’ (que não tem nenhum efeito prático, tem um valor filosófico importante) é um elemento indicador de solução nos casos de empate – a lógica sugere que ele [ponto sem alocação] deva ser disputado, ao final de jogo, nessas situações, afastando qualquer artifício, alheio ao esporte, de acabar com o empate, o que terminaria descaracterizando a modalidade Futebol.
Para o torcedor só a vitória interessa, mesmo que seja irregular, nem mesmo a regra desperta qualquer interesse, quanto mais um ponto sem computar. Mas o empate sim, esse é um fator de ligação com o torcedor, pela baixa comoção que desperta (comparando com a vitória) e todo mundo que conhece o esporte tem essa certeza.
A nossa proposição não é devolver ponto algum, a ninguém, e sim disputar uma coisa que fica sobrando. O que vai elevar o nível de comoção do torcedor (que é o sustentáculo do esporte, principalmente do Futebol profissional) nos casos de igualdade no marcador; fazendo de um resultado monótono uma situação quase tão emotiva quanto a vitória.

Lembro-me, sim, quando uma partida valia apenas 2 pontos e entendo que foi um avanço substancial, na regra, a distribuição de 3 pontos para o vencedor. E entendo também que a solução [dos 3 pontos] abriu caminho para mais uma alteração na regra no caminho de aperfeiçoar as disputas.

Desempatar um jogo de basquete jogando cartas, você está me fazendo rir e não foi essa a minha intenção com a matéria – vamos ser menos exagerados na nossa discussão, que é enriquecedora para ambos. O modelo que propomos (disputa da marca de 12 a 15 metros) não é nenhuma novidade, já existe no Futsal (tiros livres dos 11 metros); é uma competição extra, relâmpago, e racional, na relação do Futebol; em que se oferece mais chances ao goleiro de salvar o gol e um pouco mais de dificuldade ao batedor, aquecendo a disputa. Ademais, o modelo salva o pênalti (que é a justa cobrança de infração praticada na zona de alto risco) da descaracterização, nas cobranças que acontecem hoje.

O modelo não é perfeito (nós falamos isso no artigo e você deve ter lido). Sem dúvida que deve ter os seus pontos fracos e você tem toda razão, quando diz que as partidas ficarão mais monótonas. Eu também acho, só que isso se verificará apenas no início de aplicação da nova regra; as equipes que ‘mornarem’ o jogo, na esperança de levar mais um ponto na disputa final de cada partida, vão verificar que os times ganhadores de 3 pontos estão correndo na frente. Além disso, não há nenhuma garantia de se ganhar mais um ponto nas partidas que terminam empatadas – aliás, um ponto perdido nunca se recupera.
De qualquer sorte, o público é quem estará apto para responder pelo sucesso ou fracasso da proposta – tudo que argumentarmos aqui, não passa de mera discussão acadêmica, muito valiosa para os debatedores; aliás, nem sabemos se isso vai viajar além dos nossos pensamentos, embora não haja nada que impeça um vou às alturas.

Como nós deixamos claro no finalzinho do artigo, a
idéia é para ser bastante refletida e colocada em prática numa competição sem muita importância, como um campeonato amador, tipo de várzea, ou torneio de divisões de base dos clubes profissionais.
Qualquer
idéia, por mais promissora que possa parecer, é apenas idéia – somente a prática é capaz de aprovar ou reprovar uma proposta, principalmente quando se trata de mudanças.
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