METADE DE LUA INTEIRA

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Numa abordagem da questão respeitante às funções mentais exclusivamente internas – aquilo que Freud classificaria como atividades inconscientes – do ambiente formador da nossa mente humana de todo o instante, vamos contar uma pequena história  real e que bem ilustra o problema.

Assistindo a um programa de entrevista no Teatro Jorge Amado em Salvador, com o professor Pascuale Cipro Neto que, naquela oportunidade, entrevistava Carlinhos Brown – famoso percussionista e compositor baiano.

Chega a um momento, já quase no final da entrevista, que o público interagia e ai alguém na platéia fez uso da palavra e perguntou, ao entrevistado, o que significava “metade de lua inteira” (expressão de uma das mais belas canções do questionado). Brown retomou o microfone e explicou... explicou... explicou... depois, desconfiado que não estava respondendo coisa nenhuma, deu uma risada bem larga e arrematou: “quanto mais explica mais se complica” e deu o assunto por encerrado.

Naquele momento, eu também fiquei boiando na resposta!

Alguns meses depois daquele fato – o grilo com o assunto já havia, aparentemente, desaparecido – aconteceu uma cena na minha frente, inédita e muito interessante, e eu mesmo tive a oportunidade de matar aquele enigma tão incomum; que causava um leve ruído sem incomodar. 

ü      Um casal de namorados, muito equilibrados e sinceros um com o outro (coisa bem rara nestes tempos de “levar vantagem em tudo”); ele era apaixonada por um outro sujeito e nunca escondeu o fato do seu parceiro atual, que da sua parte não reclamava de coisa alguma.

Um belo dia, no auge da relação, ela fez uma romântica declaração de amor pra ele, finalizando: “este coração é só metade seu... mas é uma metade completa! Ai caiu a ficha, o tema voltou ao palco mental e eu pude entender o que significava “metade de lua inteira”. 

Foram duas classes em operações mentais de caixapreta (atividades inconscientes na opinião de Freud):

ü      Uma do poeta baiano, que recebeu a mensagem processada das suas ativas reflexões inconscientes e não sabia, no nível de consciência, a origem nem conceituar aquele recado interior (provavelmente ele atribui a um inexplicável dom divino).

ü      Outra da minha mente inquieta, que me encaminhou a uma cena clara e objetiva (que qualquer pessoa afirma ser pura sorte), já que eu não era capaz de interpretar, também no nível alto de consciência, a mensagem interior que clareava o desejado sentido da expressão.

E assim ficou esclarecido, ao menos para o meu conceito pessoal, o enigma de Carlinhos Brown.

“METADE DE LUA INTEIRA”

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