MENTE E CONSCIÊNCIA

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Em seu livro O CÉREBRO DO SÉCULO XXI, recém-lançado no Brasil, o neurocientista Steven Rose se mostra cético quanto à possibilidade de a ciência decifrar o mistério da consciência ou da mente humana. Já António Damásio, também cientista da mesma área de Rose, acredita no mapeamento científico da mente e da consciência, quando afirma, na sua obra O MISTÉRIO DA CONSCIÊNCIA, que “o último limite a ser transposto pelas ciências da vida é desvendar a mente – e nessa tarefa a consciência é o mistério supremo a ser esclarecido”.

As citações, de dois cientistas do mesmo ramo, foi somente pra demonstrar a dimensão na desordem acadêmica em que está envolvida a mente nossa de cada instante, em se tratando de estudos ditos avançados.

Quem está com a razão? Rose ou Damásio?

A resposta é questão de ponto de visão. Quem se apóia em ombros de gigantes dispõe de um panorama mais abrangente; em consequência, enxerga mais distante e também nos parece ter melhor relação com o tempo, no mínimo em nível conceitual da nossa cultura.

A mente é o instrumento humano de gestão, de aprender e de pensar. E a consciência é uma função da mente (a única a se manifestar com alguma clareza), que permite ao indivíduo perscrutar o ambiente que o rodeia e ocorre a partir de uma segunda incidência – ninguém faz qualquer ideia do que seja um objeto ou processo no seu ato inaugural.

Sei! Mas, como é que funcionam? Essa é uma questão que Damásio acredita ser o “ultimo limite a ser transposto pelas ciências da vida” e Rose, que parece não enxergar essa possibilidade, não acredita nela.

OK! Vamos começar pelo começo. Para alguém conhecer a funcionalidade de uma geringonça qualquer, é necessário conhecer as suas propriedades de construção, e me parece que a mente não é nenhuma exceção a essa regra. Conhecer as propriedades edificadoras do objeto, sem sofismas filosóficos, sem obscuridades míticas e sem pirotecnias metafísicas – a mente, embora não seja matéria palpável como ferro e brita, é parte do ser, não é nenhuma divindade, e assim, como parte formadora na constituição humana, deve ser tratada em um estudo avançado e realmente sério.

Mas... e como tratar algo intangível no nosso nível pesado humano? Ora, esse é um problema para a própria mente, intangível, resolver; porém, sem a nebulosidade do véu de Isis entre o self (unidade central da vida, envolvida com os pulsos das emoções e o poder temporal) e a própria mente. Hmmm.... Não parece haver um cheiro mítico, ou mitológico nisso? Sem dúvida que sim! É impossível não admitir um pouco de tempero além matéria pesada nesse tipo de ‘caldo’. Só não podemos é deixar que o condimento protagonize a cena e defina o sabor do alimento.

A mente, que nos proporciona a autocondução e a compreensão do mundo, não é constituída de matéria pesada, como imaginamos um tijolo ou um pedaço de metal.

É isso! Não tivemos a intenção, com este artigo, de elucidar a polêmica questão mente e consciência (o assunto é tratado largamente, no nível claro da compreensão humana, na obra a mente humana, com 464 páginas); mas sim apresentar um conceito simples e tentar aproximar o leitor do assunto, um tanto enleado em místicas, em filosofias e achismos (da parte de líderes religiosos e de estudiosos) que só faz nos distanciar do alvo e, consequentemente, de nós mesmos – sem entender a mente, na sua arquitetura e funcionalidade, não podemos compreender a nós mesmos.

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