TRABALHO – CLASSIFIC

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Aplicação de força física e/ou demais faculdades humanas com o objetivo de gerar um provento ou prestar um serviço.

Em Física, trabalho (representado por W, do inglês work) é uma medida da energia transferida pela aplicação de uma força ao longo de um deslocamento. O que não está correto, visto que um vigilante no seu posto de observação ou um empregado em plantão, prevenindo eventual falha de um companheiro em uma atividade que não pode haver interrupção, ambos não estariam trabalhando, na visão teórica da Física.

Mas, abordando o tema filosoficamente, qualquer ação humana na direção ou intenção de realizar uma transformação ou evitar um eventual transtorno no ambiente redunda em trabalho; ainda que essa atividade não produza um benefício, visível, para ninguém e nem para o meio.

Fazer um muro de arrimo, por exemplo, pra conter as águas da chuva é um trabalho que não beneficia, de imediato, a ninguém; até que aconteça uma precipitação atmosférica mais forte, e mesmo assim é necessário um senso de observação bastante razoável pra que se possa compreender e valorizar a utilidade da obra.

Na linha de raciocínio do primeiro parágrafo; um marginal, um contraventor que ganham a vida praticando atividades ilícitas e um sujeito que desce as calças, no meio da noite, numa avenida e faz ‘sujeira’; todos três estão trabalhando? Parece-nos que sim! Embora pareça também um grande absurdo, para um observador recém chegado e que não pegou os primeiros passos da ‘missa’.

Os dois primeiros resolvem os próprios problemas com a sobrevivência aplicando força e se movimentando, embora com atividades socialmente ilegais, e o terceiro se desapertou (e, você concorda comigo, ninguém pratica aquele ato fisiológico, de todos os dias, sem se movimentar e fazer um pouco de esforço) em um local público, mas em um momento seguro, onde seria muito difícil de ser molestado; o que é, sem dúvida nenhuma, um benefício muito importante, mesmo que possa passar despercebido, por ser um ato compulsório e corriqueiro – alguém que sofre ou já sofreu prisão de ventre que o diga.

Nestes tempos tecnológicos e informáticos, o homem pode ganhar a vida, legalmente, sem se movimentar e nem fazer qualquer tipo de esforço. É uma situação que ele precisa compensar a falta de movimentação com atividade física, mesmo que recreativa. 


classificação do trabalho

Tecnicamente, quanto à operacionalidade, o trabalho pode ser dividido em duas classes:

 arquitetônica e

 operativa.

Trabalho de arquitetura é aquela atividade eminentemente ligada à criatividade, mais cognitiva que mecânica, muito difícil ou ‘impossível’ de ser massificada em uma linha de produção, mesmo conduzida totalmente por pessoas.
Produzir uma música ou uma interpretação, escrever um artigo de jornal, elaborar a planta de um prédio, desvendar um crime, descobrir uma fórmula medicamentosa, uma negociação entre fornecedor e cliente, planejar um sistema de informação pra rodar em um computador, etc. Todas essas atividades, que tem pelo menos um ponto crítico a ser revelado, fazem parte de um leque enorme da classe arquitetura.
Um trabalho de arquitetura caracteriza-se pela sua natureza lenta, na elaboração – ninguém desata um nó, desconhecido, com a mesma perícia e rapidez como o empacotador na loja de presentes prepara um pacote de aniversário.

A segunda característica, importante, é que as pessoas com perfil de arquitetura, em um grupo ou comunidade, são poucos.

Uma terceira propriedade que caracteriza a arquitetura, é que o indivíduo com esse contorno não se adapta bem em uma linha de produção massiva – ele pode trabalhar bem, mas não vai desenvolver boa produtividade, por mais que se empenhe.

O trabalho de operação, ao contrário da classe arquitetura, é aquela atividade que tem caráter repetitivo ou assemelhado, se desenrola com relativa definição, é bem mais mecânico que cognitivo, mesmo que não seja possível automatizá-lo numa linha de produção.
Cantar ou tocar uma música; revisar uma obra intelectual; a produção gráfica de um livro ou jornal; a construção civil, aquela parte mais pesada de colocar a mão na massa; apanhar um bandido e colocá-lo no xadrez; operacionalizar a negociação feita pelo gerente da loja; estruturar e codificar um sistema de informação, de forma que a máquina possa proceder uma tarefa humana; operacionalizar (alimentar com dados) esse sistema no computador, e etc.

Bem ao inverso da arquitetura, o trabalho de operação tem natureza expressa, bastante diligente e, pelo condicionamento do operador, beira à perfeição em qualidade de acabamento – é o principal fator de produtividade.

Outra característica da atividade operativa é a abundância de pessoas com esse perfil em uma comunidade.

E a terceira propriedade é que o sjeito trabalhador operativo dificilmente consegue desempenho razoável numa atividade de arquitetura – normalmente ele fica rodando em círculo, ou abandona a missão, quando lhe é confiado uma tarefa de natureza arquitetônica, mesmo na sua linha de atividade.

Nem sempre um indivíduo com perfil de arquitetura é um líder e também uma pessoa de operação é um bom comandado. As posições podem ser inversas, no item comando; o que pode confundir o analista.

Nas duas classes [arquitetura e operação] é necessário a aplicação de pessoal, no mínimo, bem adaptável à categoria técnica da atividade, sem falar em profissionalidade do agente ou na adaptação à natureza do trabalho.

A atividade de arquitetura bem sucedida, invariavelmente, antecede a de execução. Mesmo que praticada pelo mesmo agente; que a primeira não seja alcançada, no nível mental de consciência, pela sua distância em espaço/tempo da segunda; o planejamento (tarefa de arquitetura) não foi revelado ou não chegou a ser documentado.
Em contrapartida, uma execução sem arquitetura prévia é uma grande e cruel perda de tempo.

Tudo se resolve com o trabalho e nada é resolvido sem os auspícios do trabalho.

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